Olá alma curada!

Hoje decidi abrir o coração sobre um tema que sei que é sensível para muitos. Para mim, até pouco tempo atrás, falar sobre a relação com os meus pais era algo extremamente delicado e complexo. Hoje, sinto que finalmente encontrei espaço para processar e compartilhar esse assunto com vocês.
Mas antes de ir direto ao ponto, vamos discutir um pouco sobre 2 conceitos que estão presentes aqui neste post.
Paternidade x Parentalidade
Embora o conceito de parentalidade tenha ganhado destaque neste século, ele ainda é frequentemente confundido com paternidade. À primeira vista, as palavras parecem sinônimas, mas guardam distinções fundamentais: enquanto uma refere-se ao vínculo biológico ou legal de ser pai, a outra abrange o conjunto de práticas, cuidados e responsabilidades no desenvolvimento de uma criança.
Exercer a paternidade significa assumir o papel de genitor (pai) ou de genitora (mãe). Já a parentalidade diz respeito ao cuidado, ao exercício afetivo e educativo para com uma vida. Ela pode ser exercida tanto por um pai e uma mãe, quanto por um avô ou avó, tios, padrinhos e outras pessoas que se responsabilizam em suprir as necessidades de uma criança.
Diante deste novo conceito, ouso dizer que acho a parentalidade mais interessante e necessária na vida de um ser! Claro que temos o total direito a conhecer nossos genitores, entender a genética por trás de nós e sermos reconhecidos por alguém perante a lei (é um direito de todo cidadão). Porém, de nada adianta a presença de todos estes aspectos estruturais e formais, sem a presença de afeto, carinho, atenção e presença na vida de alguém.
Negligência emocional: Rompendo o silêncio das gerações passadas
Atualmente, termos como gestão emocional, saúde mental e parentalidade consciente estão no centro das nossas conversas. No entanto, para as gerações passadas — como os Baby Boomers e a Geração X —, esses temas eram praticamente invisíveis ou até negligenciados. E não é de se admirar que pesquisas realizadas pela American Psychological Association no ano de 2022 informa que adultos de 40 a 60 anos apresentam o maior nível de “overload” (sobrecarga) emocional, com alto índice de síndrome de burnout, Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) e depressão, sendo a faixa etária com maior tendência a ansiedade. Reflexos de uma educação emocional ausente!
Carregamos o peso desse silêncio geracional e colhemos os frutos amargos de uma herança emocional que nunca foi devidamente processada ou acolhida dentro de nossos lares.
Muitos pais justificam a falta de educação emocional e espiritual na criação dos filhos com a frase: ‘Eu nunca tive isso, como posso te dar?’. É compreensível que eles também tenham sofrido com essa carência emocional e espiritual. No entanto, o conformismo torna-se injustificável quando, mesmo tendo acesso a novos caminhos, escolhem perpetuar padrões antigos em vez de quebrá-los.
Feridas na alma: Quando a presença física não preenche a ausência de afeto
Sei que, assim como para mim, este assunto desperta dores e desconfortos em muitos de vocês. Seja pela ausência completa dos genitores ou pela convivência com pais que, embora fisicamente presentes, permanecem emocionalmente inacessíveis — os chamados ‘órfãos de pais vivos’. Este é um tema sensível porque fala de carências que carregamos na alma. Ele nos toca tão profundamente porque remete ao que a figura materna e paterna deveria simbolizar: um porto seguro de afeto, compaixão e proteção que vai muito além do suporte material. Mas infelizmente, muitos de nós crescemos sem acesso a esse amparo emocional, seja de forma total ou parcial.
Porque não devemos aceitar uma paternidade incompleta?
Deus nos formou como seres tricotômicos (oi?). Isso quer dizer que somos uma formação toda completa e especial realizada pelo Criador; fomos personalizados por Ele, no mais brilhante e empolgante projeto. Viemos para este mundo projetados pelo maior arquiteto do universo: o nosso Deus. Ele nos fez espírito, que possuem uma alma e habitam em um corpo físico. Ao contrário do que muitos pensam, nós não temos um espírito, mas nós somos espírito. Tudo em nós é extremamente alinhado e conectado, para um funcionamento perfeito.
Mas, onde eu estou querendo chegar com esta aula de teologia (rsrsrsrs)?
Quero chegar no ponto em que, não somente o suprimento físico é importante na vida de um ser, mas o suprimento emocional e espiritual são fundamentais para uma existência saudável. É importante que haja integração e equilíbrio entre corpo, alma e espírito.
As Marcas do Silêncio: Curando 30 Anos de Feridas Invisíveis
Minha experiência
Olhando para trás, vejo que minha infância e juventude foram períodos bem difíceis. Sou imensamente grata por ter tido pais presentes fisicamente e por nunca ter passado por necessidades materiais, algo que sei ser a realidade de muitos. No entanto, mesmo com o básico garantido e sem grandes privações externas, existia um vazio e uma dificuldade em mim que o conforto material não conseguia preencher: a falta de suprimento emocional e espiritual.
Aqui quero falar sobre algo que não é palpável e vai além do “eu cumpri com minhas obrigações legais” (como infelizmente muitos dizem). Estou falando de: carinho, amor, afeto, presença, confiança, segurança, estabilidade e acolhimento. Estou falando do fornecimento de virtudes que Deus projetou para que um pai e uma mãe segundo os Seus padrões tenham.
Na minha infância vi, ouvi e passei por coisas que uma criança não deveria passar. O cuidado deficiente e incompleto provoca muitas feridas e traumas; no meu caso, feridas que demoraram mais de 30 anos para serem curadas. Segundo o queridíssimo psiquiatra e escritor Augusto Cury, tudo o que vivemos na infância com uma carga emocional intensa fica gravado em nossa memória. Esses registros acabam se transformando em gatilhos que moldam nossos pensamentos e emoções, muitas vezes resultando em comportamentos que nos adoecem. No meu caso, esse silêncio e essas lacunas alimentaram dores profundas na alma, manifestando-se em crises de ansiedade, síndrome do pânico, transtornos alimentares — como anorexia, bulimia, compulsão alimentar — e até mesmo a depressão.
Durante anos tive a minha identidade de filha totalmente distorcida. Distorcida pelo que o mundo alegava a meu respeito, pelo o que os meus pais diziam acerca de mim, pelo que via na tv e por diversos padrões errados absorvidos por uma cultura mundana nada saudável. Por muitos anos, carreguei feridas profundas que fragmentaram minha identidade como filha. Acabei construindo um falso ego — uma personalidade moldada por traumas que embaçava a visão do que Deus planejou para mim quando fui criada. Mesmo após minha conversão, continuei lutando com essa visão dismórfica.
E isso serve de alerta!!! Muitos cristãos ocupam bancos de igrejas há anos, mas ainda vivem sob uma identidade deturpada, sem experimentar a liberdade real de quem realmente são em Cristo Jesus. O Senhor nos convida hoje a quebrar estes padrões doentios na nossa vida.
O poder transformador do Evangelho de Cristo
Minha querida, entenda que existe um caminho de cura e uma solução real para o que você está enfrentando. Independente de quem gerou e como foram gerados os traumas na sua alma, tudo pode ser curado e transformado!
Não falo de teorias, mas da minha própria história. Deus me chamou para este projeto com a missão de expor e compartilhar tudo o que vivi. Falo hoje como uma alma curada, com a segurança de quem atravessou o processo e foi transformada de dentro para fora. E a real transformação só veio através da prática da palavra de Deus em minha vida, pelo poder do evangelho (boas novas) de Cristo e por meio do poder transformador do Espírito Santo de Deus.
Efésios 1:5 diz que: Deus nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e sem culpa diante dele. Em amor nos predestinou para sermos adotados como filhos, por meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósito da sua vontade.
João 1: 12 afirma que: Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus.
Romanos 8:14-16 declara que: porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Pois vocês não receberam um espírito que os escravize para novamente temerem, mas receberam o Espírito que os torna filhos por adoção, por meio do qual clamamos: “Aba, Pai”. O próprio Espírito testemunha ao nosso espírito que somos filhos de Deus.
O poder transformador da verdade sobre a minha adoção como filha de Deus renovou completamente minha percepção sobre o que significa pertencer a Ele. Tomei posse dessa promessa, pratiquei a Sua Palavra e dei total liberdade para que o Espírito Santo derrubasse cada camada de deturpação e falsa identidade que foram construídas em minha alma ao longo de tantos anos.
Minhas palavras foram (e ainda continuam sendo): “Espírito Santo de Deus, entra e faça o que precisa fazer! Limpa o que precisa ser limpo; arranca toda podridão da carne e da alma que um dia foram implantados em mim; e estabeleça em mim o ego (personalidade) de Cristo (que é perfeito)”. “Sei que o processo vai doer, porque a verdade e o confronto doem, mas também libertam!” “Ajuda-me a enxergar-me como Deus me enxerga; amar-me como Deus me ama; quero ser acolhida por Ti, como eu nunca fui na minha vida”. “A partir de hoje não aceito ser menos do que aquilo que o Senhor me projetou para ser!”
Esse posicionamento foi decisivo para que a mudança ocorresse. Sangrei internamente em diversos momentos do tratamento ministrado pelo Espírito Santo; fui quebrada; porém, nunca me senti tão viva e livre como sou agora.
Em alguns momentos de ações de graças e contemplação ao Senhor; o meu agradecimento era só um: obrigada, Pai, por me adotar como filha através do sacrifício de Jesus.’ Sou imensamente feliz por ser Tua filha, pois em Ti todas as minhas lacunas foram preenchidas. Hoje, não apenas existo, mas desfruto da vida abundante que só a Tua presença plena pode proporcionar.
Momento de cura e escuta

Se você não teve suas necessidades mais íntimas supridas pelos seus pais terrenos, creia que o Senhor Jesus é suficiente para suprí-las.
- Se você ainda não recebeu e reconheceu Jesus como seu único e suficiente salvador, faça isso já! Para que você desfrute do direito de ser considerada e cuidada como filha de Deus.
- Peça para que o poder do Espírito Santo de Deus entre e vasculhe cada canto da sua alma; seja sincera e cultive intimidade com o Espírito Santo; não viva de aparências; dê permissão para que Ele atue em cada área da sua alma e que detecte onde há feridas não tratadas.
- Exponha a sua dor; exponha-se! Sem exposição do que está errado não há tratamento e portanto, não há cura. Confesse! 1 João 1:9 afirma que: Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça.
- Seja vulnerável diante de Deus! Salmos 51:17, que afirma: “Os sacrifícios que agradam a Deus são um espírito quebrantado; um coração quebrantado e contrito, ó Deus, não desprezarás”. Se humilhe diante da Onipotente mão do Senhor!
- Libere perdão! Mateus 6:14-15 diz: Pois, se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai celestial também perdoará vocês. Mas, se não perdoarem uns aos outros, o Pai celestial não perdoará as ofensas de vocês.
- Não dê lugar e nem ouvidos ao diabo (inimigo das nossas almas). Que todo pensamento doentio e opressor que esteja passando em sua mente a respeito da sua identidade, caiam por terra no nome santo de Jesus!
- Se você já é cristã por muitos anos, mas ainda se vê somente como serva de Deus, peça ao Espírito Santo para que você aprecie o amor do Deus Pai em sua totalidade, como filha. Porque como filhas podemos chamá-lo de Pai e não somente de Senhor. As filhas tem direito em desfrutar do amor do Pai e de todas as bençãos e heranças provenientes Dele. O amor Dele é incondicional e altamente suficiente para saciar a sua fome e a sua sede de pertencimento e acolhimento.
Ter uma alma curada exige que vivamos uma fé prática, transformando o que cremos em um exercício diário de maturidade espiritual!
Se este relato tocou o seu coração, sinta-se à vontade para compartilhar sua experiência nos comentários ou enviar este texto para alguém que também precisa de cura. Sua participação é fundamental para que essa mensagem alcance mais vidas. Vamos caminhar juntas!
Se você sente que precisa de um tempo de oração ou busca orientação sobre o caminho de libertação e cura, não trilhe essa jornada sozinha. Entre em contato comigo pelo direct: @ileanemartins. Estou aqui para te ouvir e interceder por você.
Que Deus abençoe você e até o próximo post!